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#CaféComBlockfy - Engenharia por trás de IA e sistemas financeiros: muito além da stack

#CaféComBlockfy - Engenharia por trás de IA e sistemas financeiros: muito além da stack

5 de mar. de 2026

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Se você perguntar a alguém de fora da área o que faz um engenheiro de software, a resposta costuma ser simples: escrever código.

Eu também já pensei que se resumisse a isso. No entanto, sabemos que escrever código é apenas a parte visível do trabalho. O que realmente sustenta esse código vai muito além dele: processo, responsabilidade e tomada de decisão.

No #CaféComBlockfy de hoje, quero compartilhar como enxergo engenharia na prática e por que desenvolver software vai muito além da stack.

O processo

Existe uma ideia romantizada de que engenharia de software é sobre encontrar a melhor solução, a arquitetura mais elegante ou o algoritmo mais inteligente. Mas a realidade costuma ser menos glamourosa.

Grande parte do trabalho está em estruturar bem o problema antes mesmo de pensar na solução. Em vez de perguntar “qual framework usar?”, muitas vezes a pergunta mais relevante é: estamos resolvendo o problema certo?

Especialmente quando trabalhamos com produtos como IA, automação e core banking, não estamos criando algo experimental. Estamos lidando com transações, integrações e operações que precisam funcionar todos os dias, sem falhas. E nada compensa a falta de previsibilidade.

Ao longo do tempo, passei a enxergar engenharia muito menos como um exercício de implementação e muito mais como a condução de um processo. Para mim, é conduzir um processo que vai muito além de implementar funcionalidades. E eu costumo dividir esse processo em quatro frentes principais:

1. Entender o contexto

Qual é o impacto dessa feature no negócio? Que risco técnico ela carrega? Quais dependências estão envolvidas?

Uma boa decisão técnica raramente nasce apenas do código. Ela nasce da compreensão do contexto em que aquele sistema existe.

Sem contexto, qualquer solução tende a ser superficial, ou pior: resolver o problema errado.

2. Construir com responsabilidade

Nas soluções da Blockfy, estabilidade é uma prioridade máxima. Então, precisamos pensar sempre em:

  • Arquitetura sustentável

  • Escalabilidade

  • Clareza de código

  • Integração segura com APIs

  • Monitoramento e visibilidade

  • Segurança desde o nível do código

Em projetos que envolvem sistemas financeiros, segurança não pode ser tratada como uma camada adicional aplicada no final do desenvolvimento. Ela precisa fazer parte do processo desde o início.

Cada linha de código precisa sobreviver ao tempo e ser segura o suficiente para sustentar sistemas que lidam com operações financeiras reais.

3. Trabalhar em colaboração

Engenharia faz parte do todo. O produto define direção, o negócio define a prioridade e o marketing traduz valor.

Se o engenheiro ignora esse contexto, cria soluções tecnicamente boas, mas estrategicamente irrelevantes.

Parte da liderança técnica também é garantir que essas áreas estejam alinhadas e que as decisões de engenharia façam sentido dentro do produto como um todo.

4. Revisar, refinar, melhorar

Grande parte da maturidade vem de revisar o próprio trabalho.

Testes não são excesso de zelo e documentação não é formalidade. São mecanismos que reduzem risco, aumentam previsibilidade e permitem que o software evolua com segurança.

Boa engenharia não é apenas entregar código que funciona hoje, mas garantir que ele continue funcionando quando o sistema crescer, quando novas pessoas entrarem no projeto e quando o contexto mudar.

Crescimento para mim não tem a ver com cargo

Nunca enxerguei crescimento em engenharia como uma sequência de títulos. O que mudou ao longo do tempo foi o tipo de responsabilidade que passei a assumir.

Comecei minha jornada na Blockfy como estagiário. Naquela fase, meu foco era aprender o máximo possível e entregar bem o que me era pedido. Com o tempo, fui assumindo desafios maiores, questionando mais, sugerindo melhorias e organizando melhor a forma como eu trabalhava.

A transição aconteceu de forma natural. Aos poucos, você percebe que não está apenas contribuindo com código, mas também com decisões. Hoje atuo como tech lead, e a principal diferença não está no cargo em si, mas no nível de responsabilidade sobre o sistema, sobre as decisões técnicas e sobre o impacto que o trabalho do time gera no produto.

Com o tempo, a engenharia deixa de ser apenas execução e passa a envolver contexto, impacto e responsabilidade sobre o sistema como um todo.

A parte mais interessante é que boa engenharia quase nunca chama atenção. Quando tudo está estável, ninguém fala sobre o que evitou um problema ou sobre o teste que preveniu uma falha. E está tudo bem.

No fim, o que me motiva não é apenas o reconhecimento pela complexidade do trabalho, mas a confiança de saber que aquilo que construí ajuda o produto a evoluir de forma segura e sustentável.

Porque, no fim das contas, engenharia de software não é apenas sobre escrever código, é sobre assumir responsabilidade por sistemas nos quais outras pessoas confiam todos os dias.

Artigo por

Tibério Mahon Tech Lead na Blockfy